Quinta-Feira, 14 de Dezembro de 2017

Ítalo Lima

24 anos. Nasceu em Teresina-PI. Sobrevivente de angústias. Adora escrever sobre a solidão, ex amores, pinta angústias e aflições trazidas no peito. Formado em Publicidade e Propaganda, pós-graduando em Literatura e Linguística. Acredita piamente que somente a solidão te cura do outro. Vende quadros, autor do livro: Quando a gente se mata numa poesia (lançando na Bienal do Rio 2017).

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Um pouco sobre o meu silêncio



eu calo. faço escuro. me recolho. deito na cama. encolho. mas nada, nada é capaz de calar o barulho do vazio. da loucura. da insônia. do dia farto. do que desconheço. falhei. o pior de tudo é fazer as pazes com a pele. com a própria pele. falta arrepio até no choro. apatia de tudo. de todos. tacando o foda-se na simpatia. foda-se. mordo a fronha. a colcha. e o lençol. bebo água. engulo a seco. olho as horas. tudo é atraso. os ponteiros se arrastam. arranham. eu berro. eu feto. eu nu. sem trapos nem recados. esquecido no ofício. de nádegas abertas. engolindo o choro. eu morro. eu mato. eu corvo. eu me corto. eu estorvo. sem retalhos. apalpando o vão. descolorindo os pesadelos. engasgando com espinhos. abortando em verbos calados. 
 
o silêncio é uma aventura imensa. 
 
(Ítalo Lima)









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