Quarta-Feira, 17 de Agosto de 2022

Humberto Carnevalle Neto

Instrutor de AIKIDO, com mais de 20 anos de experiência, missionário evangelista cristão, introdutor do AIKIDO em São Roque e Oficial da Polícia Militar de São Paulo,leciona no Shinjitsu Dojo, onde oferece as condições adequadas para o desenvolvimento pessoal de maneira holística, conquistando a saúde física e mental, o domínio próprio, paz interior e a capacidade de resolver qualquer tipo de conflito ou agressões!

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Samurai Cristão!



"O verdadeiro samurai nunca abre mão dos seus princípios"
Uma homenagem à Takayama Ukon, o samurai de Cristo!

Takayama tinha 12 anos quando trouxe ao castelo de Sawa um sacerdote católico, por pedido de seu pai, o senhor Tomoteru, um homem com inquietudes religiosas, que queria debater as virtudes do budismo com um sábio cristão. Era 1564, e haviam passado já 15 anos desde que um barco português atracou pela primeira vez no Japão.

Tomoteru analisou com profundidade e com determinação a proposta cristã e gostou, porque se batizou ele e sua casa: seu filho, o jovem Takayama (seu nome real era Hikogoro Shigetomo) recebeu no batismo o nome de “Justo”.

Eram tempos muitos turbulentos. Os Takayama foram fiéis aos que foram os vencedores dessa época: Oda Nobunaga primeiro; e quando este foi assassinado, Toyotomi Hideyoshi, o grande unificador do Japão.Em 1576, com o sacerdote italiano Gnecchi Soldo, Ukon Takayama construiu a primeira igreja de Kyoto, que durante 11 anos seria um centro missionário do Japão. Dela hoje só sobrou o sino.

Entregou-se como refém e salvou vidas
Em 1578, com 26 anos, sendo senhor do castelo Takasuki, o jovem samurai cristão deu exemplo de seu caráter ao encontrar-se em uma complicada encruzilhada. Sua irmã era refém do senhor Murashige, que havia desgostado o poderoso Nobunaga. Murashige era convidado de Ukon Takayama, mas um exército de Nobunaga foi ao castelo pedindo que lhe entregassem a Murashige. Fizesse o que fizesse, muita gente podia morrer.

O jovem samurai raspou a cabeça, se vestiu de monge budista –rituais para expressar humildade e rechaço à violência- e se entregou como refém a Nobunaga. Assim evitou o derramamento de sangue. Este se impressionou com a atitude do jovem e o premiou com sua confiança e com títulos.

Três anos depois, Nobunaga foi assassinado, e os Takayama apoiaram seu general e herdeiro, Hideyoshi, com grande coragem em combate. Este premiou a Ukon com o feudo de Akashi, onde em pouco tempo 2.000 pessoas se converteram ao cristianismo, a fé de seu novo daimiô.
em 1614, o novo shogun Ieyasu Tokugawa lançou a proibição total do cristianismo. Aos cristãos se pedia para pisotear ou cuspir num crucifixo como sinal de seu abandono da fé.

Ukon, com mais de 60 anos, respondeu ao shogun: “Não vou lutar com armas ou espadas, só terei paciência r fé de acordo com os ensinamentos de meu Senhor e Salvador, Jesus Cristo”.

Nesse ano 3 barcos deixaram o Japão com cristãos japoneses. Dois foram para a portuguesa Macau. Outro, em que viajavam Ukon Takayama, sua esposa, filha e netos, e uns 100 leigos japoneses, foram para Manila.

“Deus disse que quem pega a espada se arruína com ela. Formai famílias nas Filipinas e regressai ao Japão como enviados para a paz”, disse o daimiô no porto de Nagasaki ao seu povo que se exilava com ele.

Sua esperança era que aqueles cristãos voltassem ao Japão, mais numerosos, como uma ponte entre culturas. Já não pensava em exércitos, mas em algo mais poderoso, que vive de geração em geração: pensava nas famílias.

Não podia saber que o Japão ia se fechar a toda influência estrangeira durante mais de 250 anos, um fenômeno cultural e político realmente singular na história.
Em Manila foi recebido por uma multidão de curiosos e os espanhóis o trataram com todo respeito. Inclusive se falou de preparar uma expedição militar espanhola ao Japão sob seu comando ou conselho, porém ele se negou.

Morreu em 3 de fevereiro, 40 dias depois de sua chegada às Filipinas, por uma enfermidade. Os espanhóis o honraram com um grande funeral cheio de honras militares.












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