Quarta-Feira, 17 de Agosto de 2022

Andrea Paiva

Andrea Paiva é Pedagoga e Pós-Graduanda em Fundamentos de uma Educação para o Pensar pela PUC-SP. Apaixonada por questões filosóficas e estudos do Ser, Andrea Paiva é poetisa e autora de livros. Atualmente é pesquisadora na área da educação através do Grupo de Pesquisa e Produção do Conhecimento - Cátedra Joel Martins PUC-SP.

Ver todas as colunas

Opinião, o berço do senso comum



Explicando de modo simples, podemos dizer que senso comum seria aquela opinião primeira que temos das coisas. Ou seja, uma forma mais imediata de compreender e explicar a realidade. Desse modo imediato, que também podemos chamar de ingênuo (visto que, por ser imediato, não é reflexivo), formam-se as percepções que temos das coisas e do mundo.

A partir de nossas experiências e vivências, seja por herança cultural, social e/ou familiar, criamos juízos de valores e, assim, chegamos a um conhecimento que nos é comum. Podemos, portanto, dizer que o senso comum é uma forma de conhecimento? Sim! Um modo mais direto que temos da realidade, mas também um conhecimento. A opinião, por exemplo, pode vir justamente desse conhecimento pré-reflexivo.

Todos nós proferimos nossas opiniões e temos uma parcela de senso comum, consequentemente, de conceitos pré estabelecidos. Até porque, diante de um mundo cada vez mais complexo, podemos dizer que é quase impossível o pensamento reflexivo se apresentar facilmente de todos os modos, a todo momento em todas as situações da vida. À vista disso, podemos dizer também que o senso comum está na base de nossas ações cotidianas e que, portanto, de certa forma, não pode ser desconsiderado.

Porém, a importância do senso comum para a filosofia e para as ciências, por exemplo, não é a sua reprodução, mas sua desconstrução. Isso porque ao tratamos uma situação de maneira superficial, sem profundidade e sem perceber de modo mais amplo suas implicações, não podemos dizer que formamos um conceito, mas um pré conceito.

Por outro lado, é importante lembrar que os conhecimentos advindos do pensamento filosófico e científico podem ser reformulados a todo momento, logo, não são imperativos. Embora o pensamento filosófico, ou mesmo o pensamento científico (cada qual ao seu modo), tratem de investigar o senso comum no sentido de seu rompimento, não podemos considerá-los genuínos, e que, portanto, suas reformulações não seja, de certa forma, também um senso comum, porém, um senso comum mais elaborado; não imediato.

Em síntese, a problemática que trago aqui não se trata de ter ou não ter uma opinião. Opinar é um direito de todos, isso ninguém discuti. Entretanto, como diz o ditado popular, “opinião, cada um tem a sua”. Bem, se cada um tem a sua, você já pensou nas divergências que isso gera diante de uma sociedade como a nossa, visto que aspectos como solidariedade, igualdade e coletividade, necessariamente, não são partes da nossa essência cultural? 

Considerando que opiniões geram e formam outras opiniões, um julgamento particular pode implicar na famosa banalização. Conceitos como política e questões sociais, por exemplo, necessariamente, solicitam um conhecimento mais aprofundado. Nessa perspectiva, o pensamento reflexivo se impõe ao pré-reflexivo. Portanto, para sermos capazes de um entendimento mais claro desses e de outros aspectos, partir de uma mera opinião nunca será o suficiente. O que quero dizer é que, essencialmente, não é a opinião que temos ou buscamos de um determinado tema que realmente importa, mas a compreensão do tema em questão. Compreender, aqui, implica estudo e atenção, principalmente dos meios pelos quais escolhemos, além dos midiáticos – sobretudo os televisivos – para construirmos este conhecimento.

Nunca subestime suas opiniões, possivelmente tem quem as ouve. Portanto, fique mais atento ao que você diz sobre o que pensa, sobre o que sabe, ou sobre o que pensa que sabe. Até porque, como já disse o nosso querido filósofo John Dewey “ter de dizer alguma coisa é bem diferente de ter alguma coisa a dizer”.

 

Por Andrea Paiva

contato@andreapaiva.com












Dogus Comunicação

Sobre a Dogus Comunicação  |   Política de Privacidade  |   Receba Novidades  |   Acesse pelo Celular

Melhor Visualizado em 1200x900 - © Copyright 2007 - 2022, Dogus Comunicação. Todos os direitos reservados.