Quarta-Feira, 17 de Agosto de 2022

marcia goncalves dos reis

Márcia Reis é professora de Língua portuguesa e Literatura. Escreve poesia para o site Recanto das Letras.

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Literatura e política



 

"Quero uma literatura ocupada pela política". A frase do escritor Julián Fuks, ganhador do prêmio Jabuti em 2016 com A Resistência, traz a tona o diálogo da literatura com a política. No artigo anterior, expus a importância da literatura marginal como forma de protesto pelos seus representantes. Vivemos atualmente uma crise política-social em várias partes do mundo. No Brasil há um movimento crescente que mostra o descontetamento da sociedade com os governantes, acarretado, principalmente, pelo alto índice de corrupção. 

Neste sentido, a literatura de fato pode ser mais engajada, fazendo um ponte e um diálogo com as manifestações polítcas que permeiam à vida do cidadão. Existem divergências entre os escritores nessa questão, alguns afirmam que não se pode misturar literatura com polítca, outros acreditam que a literatura é um tipo de intervenção nas questões do mundo, então sim, seria política. 

O engajamento político é expresso por vários autores, mostrando os problemas sociais presentes na sociedade. Podemos citar grandes obras representativas como Os Sertões de Euclides da Cunha, romance regionalista o qual retrata a vida do sertanejo e a Guerra de Canudos, na Bahia, em 1896; Vidas Secas de Graciliano Ramos, um dos clássicos da literatura brasileira, é na verdade, uma forte crítica à vida miserável de centenas de família de retirantes obrigadas a se deslocar de tempos em tempos para áreas menos castigadas pela seca no sertão nordestino; O Quinze, de Rachel de Queiroz, obra a qual retrata a realidade dos retirantes nordestinos na grande seca que assolou o Nordeste em 1915, o romance contém um forte teor social que, além de enfocar na realidade das pessoas do local, retrata a fome e a miséria nessa região do Brasil. 

Como podemos observar, são clássicos que mostram as crises sociais de determinadas épocas. Algumas poesias também trazem uma forte crítica às questões sociais, como "Não há vagas", de Ferreira Gullar, "A flor e a naúsea", de Carlos Drummond de Andrade", "Epitáfio para o século XX", de Affonso Romano de Sant' Ana, " O operário em construção", de Vinicius de Moraes, " Na luta de classes", de Paulo Laminski, dentre outros.

A literatura tem o poder de humanizar e sensibilizar os leitores, sendo um instrumento de construção de conhecimento e politização do cidadão. Portanto, vale a pena a leitura de grandes obras e autores.

 

 












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