Quinta-Feira, 11 de Agosto de 2022

Lucas Rodacoski

Lucas Rodacoski é professor universitário, formado em Gastronomia pela Universidade Anhembi Morumbi (2009), com extensão universitária em Jornalismo Gastronômico pelo Senac (2011) e pós-graduado em Gastronomia: História e Cultura, também pelo Senac (2013).

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Ideologia à Mesa



 

É intrínseco ao ser humano, enquanto animal social, compor-se de ideias, doutrinas e crenças. Tais princípios moldam o caráter do indivíduo, incluem-no ou excluem-no de determinados meios, norteiam suas ações e definem sua personalidade.

São esses conjuntos de ideias que compõe e definem as ideologias políticas, econômicas, sociais, religiosas, sexistas, filosóficas, jurídicas e, porque não, alimentares. Ideias antagônicas favorecem debates que levam ao progresso e à mudança do status quo – ainda que nem sempre, mas isso é outra história.

Contudo, em determinados momentos, tais convicções tornam-se arrogantes, porque acreditam ser absolutas. Infelizmente alguns vegetarianos acreditam que seu hábito alimentar os torna melhor que os demais indivíduos.

A frase que ilustra este artigo: “A Terra pode alimentar 2,5 bilhões de bocas com uma dieta ocidental, rica em carne, ou 20 bilhões de vegetarianos”, explica bem o que foi dito há pouco. Tal trecho foi retirado de uma entrevista publicada na Revista Época em junho de 2008, e ler a íntegra do discurso vai muito além do trecho tirado de seu contexto original. A arrogância, ou manipulação, começa por selecionar tal oração a fim de causar um impacto pouco fiel ao discurso de origem. Não se faz aqui a condenação dos vegetarianos, tão pouco de sua ideologia alimentar, mas um convite a praticar o respeito diante às demais ideologias alimentares e, juntos, chegar a uma solução para a fome.

Sobre qual dieta ocidental – rica em carne – estamos falando? Percebe-se o quão vago é a ideia que se pretende disseminar? Estamos falando de uma dieta americana, francesa, italiana, mexicana, brasileira ou outra? É simplesmente impossível resumir tantas cozinhas ricas em singularidades em algo como “dieta ocidental”.

É extremamente incômoda essa visão de que a carne é sempre a vilã no mundo da alimentação - ou da fome. Há culturas alimentares das mais diferentes formas imagináveis, é necessário respeitá-las e procurar entender as reais razões da fome e as múltiplas soluções para esse mal que vai muito além de uma simples dieta/ideologia alimentar.

Há quem alegue o impacto ambiental que a produção de carne causa – ainda que o trecho em questão fale apenas sobre a fome e não sobre o meio ambiente –, mas ainda assim o problema está muito mais na cadeia produtiva como um todo - desde a produção, passando pela distribuição até o desperdício – do que em um simples alimento.

Hoje a produção de alimentos no mundo é suficiente para 12 bilhões de pessoas e, ainda que sejamos 7 bilhões de indivíduos, há 925 milhões passando fome, de acordo com a FAO (Organização das Nações Unidades para Agricultura e Alimentação). De fato, a dieta vegetariana saciaria a fome de 20 bilhões ante esses 12, mas talvez o momento peça uma reeducação de hábitos alimentares a mudança radical do hábito alimentar para solucionar o problema da fome.












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