Terça-Feira, 24 de Outubro de 2017

Albertino Lima Ribeiro

Albertino Ribeiro é economista, analista de informações econômicas do IBGE, possui especialização em Psicologia do Trabalho e tem um olhar sob o ponto de vista humano das relações socioeconômicas atuais.

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Governo deveria julgar-se incapaz de administrar a política fiscal.



O Governo federal deve rever sua meta fiscal para 2018 nos próximos dias. O valor que estava definido em um déficit de R$129 bilhões deve aumentar para um "rombo maior ainda" na casa dos R$ 170 bilhões.

Do ponto de vista lógico, é impossível entender a forma como o governo do presidente Temer administra a política fiscal do país. Por um lado, corta  gastos em todos os ministérios, inclusive, na área de saúde e educação, para economizar alguns milhões, mas ao mesmo tempo perdoa dívidas na casa dos bilhões como fez recentemente, perdoando a dívida de R$10 bilhões da bancada ruralista e de R$25 bilhões do banco Itaú.

O estado brasileiro é um credor magnânimo e ao mesmo tempo  um devedor subserviente. Dito de outro modo, perdoa os seus  grandes devedores, abrindo mão de receita, mas não negocia com seus credores para que estes  façam o mesmo. O interessante é que muitos dos devedores do governo federal também figuram na condição de credores da dívida pública. Como explicar essa esquizofrenia fiscal à população e contar com o seu apoio?

É muito comum ouvirmos representantes do governo comparando as contas públicas com o orçamento de uma família. Segundo eles, assim como uma família não pode gastar mais do que recebe, pois passará sérias dificuldades, o governo também deve fazer o mesmo. Mas, pera lá! Se uma família tiver em dificuldade e o seu responsável for racional,  irá procurar  seus credores e negociar seus débitos em condições mais favoráveis. Não é mesmo? Ademais, qual o chefe de família  que em dificuldades abriria mão de receitas?

Os filhos dessa “família” brasileira que é utilizada como metáfora para justificar a irracionalidade de um governo “Robin Hood às avessas” deveriam pedir a interdição desse pai de família insensato, que deixa de lado à saúde, a segurança e a educação de seus filhos para pagar suas dívidas junto aos bancos que são insensíveis cobradores.

 










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