Quarta-Feira, 17 de Agosto de 2022

Tally Mendonça

Formada em jornalismo, atriz de teatro e amante da sétima arte.

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Filme Inesquecível: ET – O Extraterrestre



Eu costumo ter uma boa memória. Lembrar coisas que quase ninguém lembra. E, mesmo lembrando de muita coisa da minha infância, eu não lembro qual foi o primeiro filme que eu vi. Lembro de vários momentos cinematográficos da minha infância, de assistir Branca de Neve na primeira fileira do cinema, de um filme francês absurdo que eu e minhas irmãs descobrimos na locadora e amamos e era sobre crianças com pais divorciados (muitas exclamações aqui!!!), lembro de filmes que merecem colunas próprias futuramente, como Os Goonies, O Rei Leão, Labirinto – A Magia do Tempo, Quero ser Grande, etc. Mas não há maneira de me fazer lembrar qual foi o primeiro. 

Primeira lembrança cinematográfica, então? O momento em que eu me descobri apaixonada, encantada, enfeitiçada e condenada a amar aquela mágica que colocava pessoinhas dentro da tela da televisão... Esse, eu consigo lembrar. Com certeza, não foi o momento em que eu, num surto almodovariano, deixei de crer em Deus e o cinema ocupou seu lugar. Eu ainda não estava destinada ao vício. Mas foi a primeira vez que eu vi o quanto o cinema poderia mexer com uma pessoa. No caso, com uma micro-pessoa. 

A idade exata, eu não tenho certeza. Algo entre os incríveis 4 e 6 anos, essa época mágica em que coisas bobas são descobertas fantásticas. O cenário: sala da casa dos meus avós. A enorme estante de madeira, repleta de livros; o sofá marrom enorme com a poltrona combinando; a mesa com a TV ligada em cima. Espalhados pelo sofá, as companhias constantes de micro-pessoas: pais, tios e avós. Na tela, crianças e um simpático alienígena pescoçudo, de olhos grandes e dedo que brilhava e andava de bicicleta. No chão, eu: comprida, enganando a todos que apostavam que eu seria um absurdo de alta quando mais velha, magrela, de olhos arregalados. Senhoras e senhores, Steven Spielberg é o grande responsável pela minha paixão pela sétima arte. Sim, foi ele que me fez pensar “eu vou gostar disso pra sempre”.

ET... Phone... Home 

A história do filme, todo mundo conhece. E.T. – O Extraterrestre conta as aventuras do ET do título – que é uma graça, por sinal, e bem diferente dos monstros do espaço que vieram depois – na Terra, na companhia do menino Elliott, que tenta ajudar o “bichinho” a voltar pro seu planeta. Simples, mas conquistou todo mundo. O filme foi indicado a 9 Oscar, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor (ganhou 4).

O que ninguém conhece é o que aconteceu comigo depois do filme. Eu chorei. Não foi um choro bobinho, de emoção. Foi um choro doído, intenso. O motivo: na minha mente infantil insana – que não mudou muito, aliás – o ET tinha morrido e não voltado pra casa. E aí.... Imagina a dor da criança que torce tanto pra ele conseguir ir pro lar, doce lar e descobre que era tudo uma enganação e que ele morreu e nunca mais vai voltar pra suas terras! Não importava o que a tela me mostrava, eu tinha absoluta convicção de que havia uma simbologia inexplicável e o ET estava morto. O ET não tinha morrido e, mesmo que tivesse, era só um filme. Mas mexeu comigo de uma forma assustadora. E é aí que eu descubro “Hey, essa coisa de cinema mexe com a gente, né?”. Obrigada, tio Steven, por ter me ensinado isso tão cedo.

 Um motivo pra assistir o filme? Eu não consigo selecionar só um... Ver a Drew Barrymore – uma das minhas atrizes preferidas – pequenininha é incrível, ver o ET escondido no meio dos brinquedos é lindo, ver o momento em que uma das mais famosas frases da história do cinema aparece (“Et... phone.... home”) é o máximo... Mas imperdível mesmo é ver a sombra da bicicleta de Elliott com o ET na cestinha voando em frente à Lua. Prova de que no cinema – e talvez no cinema – tudo pode acontecer.












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