Quarta-Feira, 12 de Dezembro de 2018

Victor Barboza

Victor Barboza é fundador da GFC - Gestão Financeira Criativa e atua com Educação Financeira e Gestão Financeira de pequenos negócios

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4 Dicas para reduzir o impacto do preço do combustível no seu bolso



Um dos eventos mais marcantes da semana é a greve dos caminhoneiros, que além de paralisar estradas, também mostra efeitos em diversos outros setores: filas em postos por conta da interrupção da distribuição de combustíveis, suspensão de serviços de entregas, cancelamento de voos, redução das frotas de ônibus do transporte público, entre outros.

Desde 03 de julho de 2017, a Petrobras realiza o reajuste da gasolina e do diesel diariamente. O que motivou a empresa a fazer isso foi a volatilidade crescente das taxas de câmbio e das cotações de petróleo e derivativos. Foi estabelecida que o reajuste diário pode variar numa faixa entre -7% e +7% do valor a ser reajustado.

Gasolina

Em reação a cadeia de comercialização, os combustíveis apresentam algumas variações. Começando pela gasolina, há duas fontes do combustível: produção interna ou via mercado externo. Após passar pelas refinarias, a gasolina é coletada pelos distribuidores, que levam o combustível até os postos de venda, para que chegue até o consumidor final. Pensando no preço, tudo começa com o preço pelo qual a gasolina chega aos distribuidores.

 Vale lembrar que além da gasolina pura, também há mistura de etanol, comprado de produtoras, que é misturado, em proporção determinada pela legislação. Em seguida, as distribuidoras vendem a gasolina aos postos, que estabelecem o preço por litro que será cobrado do consumidor.

Segundo os cálculos da Petrobras, o valor do seu combustível é referente a um terço do preço cobrado no valor final, 11% é o custo do etanol e 12% são custos e lucros dos distribuidores. Em relação aos tributos, estes são responsáveis por cerca de 45% do valor, sendo 29% de ICMS, imposto estadual (variando de 25% a 34% de estado para estado), e 16% CIDE (Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico) e PIS e COFINS, de caráter federal. Vale ressaltar que estes impostos federais não são percentuais, mas sim cobrados por um valor fixo por litro: PIS COFINS equivalem a R$ 0,7925 por litro de gasolina e CIDE de R$ 0,10 por litro.

Diesel

Já em relação ao diesel, o processo é parecido, tendo algumas alterações em relação à precificação. O diesel é um combustível utilizado no transporte rodoviário e marítimo de passageiros e de cargas. No Brasil, há uma lei que proíbe o uso do Diesel em veículos leves, o que faz com que este combustível seja usado apenas em caminhões, ônibus e veículos 4x4.

Assim como a gasolina, o diesel é um óleo derivado do petróleo, porém ele é mais denso e menos volátil. Em outras palavras, um carro com motor a diesel acaba tendo baixo consumo de combustível e capacidade para acelerações mais fortes. Este motor é mais robusto e acaba durando mais também, o que, em conjunto com o preço do diesel mais barato, faz com que este tipo de combustível compense mais para os veículos pesados.

Neste caso, a Petrobras acaba ficando com cerca de 55% do valor cobrado, 7% é custo do biodiesel (por lei deve compor 10% do diesel) e 9% correspondem aos custos e lucros dos distribuidores. Em média, 29% são tributos, sendo que 16% são de ICMS (variando de estado para estado entre 12% a 25%) e 13% de CIDE, PIS e COFINS (federal). Da mesma forma que na gasolina, no diesel o preço fixo é de R$ 0,4615 de PIS COFINS por litro e R$ 0,05 de CIDE por litro.

Etanol

O etanol é o outro tipo de combustível que é utilizado nos veículos por aqui. O Brasil é o segundo maior produtor de etanol combustível e o maior exportador do mundo. Este tipo combustível é derivado da cana-de-açúcar, que parte de uma eficiente tecnologia para o seu cultivo, com equipamentos modernos. Além disso, tem-se o bagaço e o residual utilizados para produzir energia, o que acaba resultando em uma redução no custo de produção do etanol.

Desde 1976, os veículos produzidos já não andavam mais apenas com gasolina, mas sim, pelo menos com a mistura de gasolina e etanol. Com o avanço das tecnologias, hoje muitos dos carros de passeio são flex, ou seja, andam tanto na gasolina quanto no etanol. Com isso, hoje o etanol combustível possui três formas: etanol comum(entre 95,1% e 96% de álcool), etanol na gasolina e etanol aditivado etanol comum com adição de substâncias que melhoram sua qualidade). Porém, ao contrário da gasolina, o etanol praticamente não forma resíduos que prejudiquem o desempenho do motor, por isso o etanol aditivado acaba não valendo a pena.

Em relação à tributação, o Etanol acaba ficando na faixa dos 26%. O ICMS acaba variando numa faixa entre 12% a 30%, o PIS e COFINS acabam tendo um valor fixo de R$ 0,1309 por litro para o produtor e R$ 0,1109 para o distribuidor e há isenção do CIDE.

Preço

Portanto, percebe-se que boa parte do preço do combustível acaba se relacionando aos impostos. Frente às atuais greve, o primeiro corte que o Governo estuda fazer é justamente do CIDE. Porém, uma boa parcela do preço acaba sendo para custear a operação como um todo, da produção ou compra do combustível, distribuição e revenda. Pensando na produção, a tecnologia por trás é cara, existe toda uma mão de obra especializada e pesquisas, ou, no caso de importação, existem as variáveis cambiais. Já em relação à distribuição, existem também uma mão de obra, os equipamentos e o custo com o próprio combustível, afinal, a logística no Brasil é praticamente toda feita via estradas. E, nos postos de gasolina, também há custos com mão de obra, equipamentos, eletricidade, aluguel, entre outros. Em outras palavras, de uma forma ou outra, todos esses custos acabam sendo repassados ao preço final do produto.

Cabe a cada um de nós fazer um bom planejamento financeiro pessoal e levantar as opções que temos para termos o menor impacto nos nossos bolsos. Como dicas, tem-se:

1)      Verificar o meio de transporte com o melhor custo-benefício

Seja com o preço do combustível alto ou não, sempre precisamos levantar quais possibilidades de locomoção nós acabamos tendo. Levantar trajetos e preços de transportes públicos, aplicativos, caronas e próprio veículo e verificar, no final do mês, qual será o gasto com deslocamentos. Trabalhe então com um orçamento para que você não perca o controle sobre os gastos com transporte.

2)      Compare preços

Para quem tem o próprio veículo, antes de abastecer é importante comparar o preço cobrado no combustível em diferentes postos, e também a qualidade do produto que é entregue. Muitas vezes, são vendidos combustíveis adulterados, por isso, não necessariamente o mais barato é o melhor. O site Preço dos Combustíveis é uma das maneiras de se pesquisar o preço do combustível na sua região. Em relação à aplicativos, o site Vah, a partir do seu trajeto, faz a comparação de preço entre os aplicativos de transporte disponíveis na sua região. Para quem tem carro flex, também vale a comparação para saber se no momento vale mais a pena abastecer com álcool ou com gasolina.

3)      Procure promoções e vantagens

Muitos postos de gasolina possuem programas de fidelidade ou descontos para quando é informado o CPF ou a utilização de aplicativos. Procure se informar se no posto que você costuma abastecer tem algo assim, pois qualquer desconto no litro do combustível acaba fazendo uma boa economia no final das contas. Aplicativos de transporte também possuem cupons, indicações e códigos que acabam barateando as corridas.

4)      Dê e use caronas

Caronas são sempre bem-vindas. Para o motorista, acaba sendo uma forma de reduzir os gastos com combustível e pedágios, pois de qualquer forma os lugares do carro estariam lá. Para os passageiros, muitas vezes acaba sendo algo mais em conta e com maior comodidade.












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